Resumo rápido: o visto D7 é o caminho de residência em Portugal para quem vive de renda passiva — aposentadoria, dividendos, aluguéis, royalties. Em 2026 você precisa comprovar cerca de €920/mês para o requerente principal, mais 50% por adulto dependente e 30% por criança. O processo passa primeiro pelo consulado português no Brasil, depois pela AIMA depois que você chega, e o custo total do primeiro ano costuma ficar perto de €1.000. Depois de 5 anos de residência legal você já pode pedir residência permanente. E aqui vai um detalhe que interessa especificamente a quem é brasileiro: pela reforma da lei da nacionalidade de 2026, quem é da CPLP — o que inclui o Brasil — pode pedir cidadania portuguesa por naturalização com só 7 anos de residência legal, e não 10 como a maioria das outras nacionalidades.

O Que É Exatamente o Visto D7

Comparando opções? Veja nosso guia lado a lado D7 vs D8 em Portugal para escolher a rota certa conforme o tipo da sua renda.

O D7 é o visto de residência português para quem consegue se sustentar sem precisar de um emprego português, com base no Artigo 61 da lei de imigração de Portugal (Lei n.º 23/2007). Foi pensado para aposentados, pensionistas e qualquer pessoa que viva de renda passiva — dividendos, imóveis alugados, royalties, ou saques programados de uma carteira de investimentos. É parecido com o conceito de visto de aposentadoria que outros países costumam ter, mas aberto a mais gente do que só quem já se aposentou oficialmente.

Já vi dezenas de famílias brasileiras e de outras nacionalidades se mudarem para cá usando o D7 nos últimos anos. A maioria é de casais na faixa dos 50 e 60 anos vivendo de aposentadoria, mas também conheço quem tinha só 34 anos e qualificou com renda de dividendos de uma carteira herdada, sem problema nenhum. O visto não tem restrição de idade. O que importa é a estabilidade e a origem da sua renda, não quantos anos você tem nem se já se aposentou “oficialmente”.

Um detalhe importante: o D7 é para renda passiva. Se você ganha dinheiro trabalhando ativamente — home office para empresa estrangeira, ou freelancer faturando por serviço prestado — o caminho certo provavelmente é o Visto D8 Nômade Digital Portugal 2026 (o D8), não o D7. Os consulados portugueses ficaram bem mais rígidos nessa distinção desde que o D8 foi lançado, no fim de 2022. Confundir os dois é o motivo número um de pedido de D7 ser recusado.

Aviso: não sou advogada de imigração. As regras mudam, e a sua situação pode ter detalhes que eu não enxergo daqui. Confirme sempre com o consulado português responsável pela sua região ou com um advogado de imigração licenciado em Portugal.

Requisitos de Renda em 2026

O D7 português exige renda passiva de pelo menos €920/mês para o requerente principal em 2026 — 100% do salário mínimo português (RMMG), definido pelo Decreto-Lei 139/2025. Esse valor tem subido €50 todo mês de janeiro desde 2025, com o governo comprometido a seguir aumentando até 2028 — então confira o valor atual antes de fazer as contas. Para famílias, soma-se 50% por adulto dependente e 30% por criança. Uma família de três (dois adultos, uma criança) precisa de cerca de €1.656/mês (uns €19.900/ano) como mínimo, embora os consulados prefiram ver uma folga confortável acima disso.

Aqui é onde muita gente se atrapalha: o valor de €920 é um piso mínimo, não uma meta. Consulados nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá costumam querer ver de 1,5 a 2 vezes esse valor na prática, principalmente para famílias — o consulado brasileiro segue critérios parecidos e também prefere ver uma margem de segurança. Eles estão avaliando se você realmente consegue viver em Portugal sem virar um peso para o sistema social de lá.

Fontes de renda aceitas incluem:

  • Aposentadoria do INSS, previdência privada ou pensão de órgão público
  • Renda de aluguel de imóvel próprio (idealmente com contrato de locação)
  • Dividendos de ações ou fundos de investimento
  • Royalties de livros, patentes ou propriedade intelectual
  • Saques programados de plano de previdência (PGBL, VGBL) ou aposentadoria privada
  • Pagamentos de renda vitalícia

Você vai precisar de 3 a 6 meses de extrato bancário mostrando essa renda entrando na conta. Os consulados normalmente querem ver que essa renda já é recorrente há pelo menos um ano antes do pedido. Transferência avulsa ou valor único não conta. Se você está transferindo dinheiro do Brasil para comprovar renda, vale usar uma corretora de câmbio ou serviço como o Wise — o extrato sai mais limpo para traduzir e apostilar do que um comprovante de DOC/TED tradicional.

D7 ou D8: Qual Faz Mais Sentido Para Você

O D7 é para renda passiva; o D8 é para trabalho remoto ativo. É a forma mais simples de pensar nisso. Se o dinheiro entra enquanto você dorme (aposentadoria, dividendos, aluguel), é D7. Se você está em reunião no Zoom para uma empresa estrangeira ou faturando por serviço prestado como freelancer, é D8. O valor mínimo de renda também é bem diferente — o D8 exige cerca de €3.680/mês em 2026 (4x o salário mínimo), bem mais alto que o piso de €920 do D7.

CaracterísticaVisto D7Visto D8 (Nômade Digital)
Tipo de rendaPassiva (aposentadoria, dividendos, aluguel)Ativa (salário remoto, freelance)
Renda mensal mínima (2026)~€920 requerente principal~€3.680 requerente principal
Ideal paraAposentados, quem vive de renda de investimento, donos de imóvel alugadoFuncionários remotos, freelancers
Pode trabalhar em Portugal?Sim, assim que a residência é emitidaSim, esse é o propósito do visto
Validade do cartão de residência2 anos, depois renovações de 3 anos2 anos, depois renovações de 3 anos
Caminho para cidadania7 anos (CPLP/UE) ou 10 anos7 anos (CPLP/UE) ou 10 anos

Os Documentos Que Você Realmente Vai Precisar

A lista de documentos do D7 português tem uns 10 a 12 itens, mas varia um pouco de consulado para consulado. Os documentos centrais que todo consulado pede: passaporte válido, NIF português (número de identificação fiscal — o “CPF português”, exigido para praticamente tudo: abrir conta, alugar imóvel, contratar serviço), comprovação de renda passiva dos últimos 3 a 6 meses, certidão de antecedentes criminais apostilada, seguro-saúde válido em Portugal e comprovante de acomodação (contrato de aluguel ou escritura).

A lista completa que você deve preparar:

  1. Passaporte válido por pelo menos 6 meses após a entrada planejada
  2. Duas fotos 3x4 recentes (35x45mm)
  3. Formulário de pedido do D7 preenchido (disponível no site do consulado)
  4. NIF português — veja Como Tirar o NIF em Portugal: Guia Passo a Passo (2026) para conseguir remotamente
  5. Conta em banco português com os fundos depositados (normalmente €11.040 para uma pessoa, mais para famílias)
  6. Comprovação de renda passiva — 3 a 6 meses de extrato bancário, carta de concessão de aposentadoria, comprovante de dividendos
  7. Certidão de Antecedentes Criminais emitida pela Polícia Federal, apostilada
  8. Seguro-saúde cobrindo Portugal por pelo menos os primeiros 4 meses — o SafetyWing funciona bem nesse período inicial, antes de você conseguir seu número de utente no SNS
  9. Comprovante de acomodação em Portugal (contrato de aluguel de 12 meses ou escritura de imóvel)
  10. Carta explicando por que você quer morar em Portugal
  11. Itinerário de voo (alguns consulados pedem, outros não)
  12. Comprovante de pagamento da taxa do visto (€90)

Traduções: a maioria dos documentos precisa ser traduzida para o português por tradutor juramentado e apostilada pela Convenção de Haia. No Brasil, reserve de 2 a 4 semanas para conseguir os apostilamentos.

Passo a Passo: Do Pedido do D7 até o Cartão de Residência

O processo do D7 português leva de 4 a 8 meses do início ao fim, dividido entre o pedido de visto no consulado (antes da viagem) e o agendamento de cartão de residência na AIMA (a agência que substituiu o SEF em 2023) depois que você já está em Portugal. O acúmulo de pedidos na AIMA tem sido o gargalo desde a transição, com gente esperando de 8 a 12 meses por um agendamento de residência depois de já ter chegado.

A sequência realista:

  1. Tire seu NIF remotamente (1 a 2 semanas). Você precisa dele antes de abrir conta em banco português.
  2. Abra uma conta em banco português e transfira o depósito que comprova os fundos (2 a 4 semanas). Millennium BCP, ActivoBank e Novo Banco fazem abertura remota para não residentes.
  3. Reúna os documentos — antecedentes criminais, apostilamentos, traduções (4 a 8 semanas, dependendo de como andam os cartórios).
  4. Garanta a acomodação — um contrato de aluguel de 12 meses ou a compra de um imóvel. Muita gente assina contrato de um lugar que nem viu pessoalmente ainda.
  5. Agende no consulado e dê entrada no pedido (processamento típico de 60 a 90 dias).
  6. Receba o visto de entrada de 4 meses e viaje para Portugal.
  7. Agendamento na AIMA para o cartão de residência (é aqui que os atrasos mais pesam em 2026).

Quanto Isso Custa de Verdade

O visto D7 em si custa €90 no consulado, mais €83 pelo cartão de residência da AIMA, segundo a tabela oficial de taxas da AIMA. O custo real vem da estrutura de apoio: representante fiscal (€100-200/ano, se você ainda não é residente), traduções e apostilamentos de documentos (€300-500), advogado de imigração opcional (€1.500-4.000), e o primeiro ano de moradia mais seguro-saúde.

Um orçamento realista para quem faz o pedido sozinho, sem advogado, fica em torno de €800-1.200 só para o processo do visto em si. Com advogado, você fica na faixa de €2.500-5.000. Famílias gastam mais por causa do custo de apostilamento e tradução por pessoa.

Para ter noção do custo de viver em Portugal depois que você já está por lá, veja Custo de Vida em Portugal 2026: Orçamento Mensal Realista para Estrangeiros.

Residência Permanente e o Caminho para a Cidadania

Pela lei portuguesa, a residência legal pelo D7 conta para a residência permanente (renovável indefinidamente) depois de 5 anos — isso não mudou, porque é regulado pela lei de imigração, separada da lei da nacionalidade. Já a cidadania portuguesa plena por naturalização, que te dá um passaporte da União Europeia, é uma trilha diferente: pela Lei Orgânica n.º 1/2026 (em vigor desde 19 de maio de 2026), agora exige 10 anos de residência legal para a maioria das nacionalidades, mas apenas 7 anos para quem é da CPLP ou da União Europeia — e o Brasil está na CPLP. Ou seja, se você é brasileiro entrando pelo D7, o seu caminho até a cidadania portuguesa é dois anos mais curto do que o de um americano ou canadense na mesma situação (quem já tinha pedido de naturalização em andamento antes de 19 de maio de 2026 continua na regra antiga, de 5 anos). Muita gente que conheço pede a residência permanente assim que completa 5 anos, e só depois vai atrás da cidadania quando bate o novo prazo. Quando o seu cartão estiver perto de vencer, nosso guia sobre como renovar o título de residência em Portugal explica a renovação na AIMA e as taxas de 2026.

O outro requisito é um teste de língua e cultura/história portuguesa — a reforma de 2026 incluiu perguntas sobre cultura, história e símbolos nacionais além do componente de idioma, então confirme o nível exigido atualmente com a AIMA/IRN ou com um advogado, em vez de assumir que o antigo nível A2 ainda vale.

Próximos Passos

Se você está considerando seriamente o D7, sua primeira ação concreta é tirar o NIF português. Nada mais anda até isso estar pronto — você não consegue abrir conta em banco, assinar contrato de aluguel nem dar entrada no visto sem ele. Dá para tirar o NIF remotamente através de um representante fiscal por €100-150, ou pessoalmente se você já estiver visitando Portugal. Comece por aí, depois vá trabalhando o resto da lista de documentos de trás para frente.

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