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- Quanto custa alugar um apartamento em Portugal em 2026?
- Dá para alugar um apartamento em Portugal ainda morando no Brasil?
- Quais documentos um brasileiro precisa apresentar ao locador?
- Golpe de aluguel: como não cair em fraude alugando à distância
- Onde procurar apartamento para alugar em Portugal
- Como interpretar um contrato de arrendamento português
- Por que exigir que o contrato seja registrado nas Finanças?
- O que “sem despesas” esconde na conta de luz e água?
- Outras armadilhas comuns ao alugar em Portugal
- Considerações finais
Resumo rápido: dá para alugar um apartamento em Portugal ainda morando no Brasil, mas é o cenário favorito dos golpistas. Regra de ouro: vídeo-chamada ao vivo e nada de transferência antes de conferir o registro do contrato. Os preços vão de cerca de €650/mês em Braga a €1.300/mês em Lisboa. Desde 2023 o depósito é limitado por lei a 2 meses de aluguel, e ninguém pode exigir fiador português de quem acabou de chegar. O que pesa é uma pasta de documentos bem montada.
Quanto custa alugar um apartamento em Portugal em 2026?
Para um T1 ou T2, calcule algo entre €650 e €1.900 por mês, dependendo da cidade. Em julho de 2026, os preços pedidos ficaram em €23,5 por metro quadrado em Lisboa, €18,1 no Porto, €14,9 em Faro, €14,2 em Setúbal, €14,0 em Coimbra, €13,6 em Aveiro e €10,8 em Braga, segundo o relatório mensal de aluguel da Idealista. Ou seja: Braga é a mais barata entre as grandes cidades universitárias, abaixo de Coimbra e de Aveiro.
| Cidade | T1 (1 quarto) / mês | T2 (2 quartos) / mês |
|---|---|---|
| Lisboa | €1.300 (aprox. R$ 7.680) | €1.900 (aprox. R$ 11.230) |
| Porto | €1.050 (aprox. R$ 6.205) | €1.450 (aprox. R$ 8.570) |
| Faro (cidade) | €900 (aprox. R$ 5.320) | €1.250 (aprox. R$ 7.390) |
| Setúbal | €850 (aprox. R$ 5.025) | €1.150 (aprox. R$ 6.795) |
| Coimbra | €850 (aprox. R$ 5.025) | €1.150 (aprox. R$ 6.795) |
| Aveiro | €800 (aprox. R$ 4.730) | €1.100 (aprox. R$ 6.500) |
| Braga | €650 (aprox. R$ 3.840) | €900 (aprox. R$ 5.320) |
Conversão aproximada pela cotação de venda do euro do Banco Central do Brasil (PTAX) em 18/09/2026, cerca de R$ 5,91 por €1. Confira a cotação atual antes de fazer suas contas, porque o real oscila mais que o dólar contra o euro.
Dois pontos importam mais que os números em si. Primeiro, esses são preços pedidos, não fechados. Os valores dos contratos assinados de verdade ficam bem abaixo do anúncio: o Instituto Nacional de Estatística (INE) registrou uma mediana nacional de €9,46 por metro quadrado nos contratos novos do primeiro trimestre de 2026, com o município de Lisboa em €17,22 e o Porto em €14,29. Tem espaço para negociar nessa diferença.
Segundo, “o Algarve” não é um mercado único. A cidade de Faro tem preço mediano, mas a região do Algarve como um todo chegou a €22,5 por metro quadrado em julho de 2026, alta de 34,3% no ano — a região de aluguel mais cara do país, à frente da Grande Lisboa. Se você está de olho em Vilamoura, Almancil ou Albufeira, calcule preço de Lisboa, não de Faro.
Uma coisa que pega quem vem de fora: o aluguel anunciado é bem próximo do valor real. Não tem taxa de condomínio de amenidades embutida, não tem seguro obrigatório junto, na maioria dos casos não tem “taxa de pet”. O que você soma por fora são as contas de consumo e, às vezes, o condomínio. Para o panorama mais amplo, nosso comparativo de custo de vida em Portugal coloca o aluguel ao lado de mercado, transporte e plano de saúde, com o detalhe por cidade nos guias de Lisboa e Porto.
Dá para alugar um apartamento em Portugal ainda morando no Brasil?
Dá, e é assim que boa parte dos brasileiros resolve o problema. Mas é justamente essa situação, a de quem vai assinar sem nunca ter pisado no imóvel, que os golpistas mais exploram. Se você já alugou algo no Brasil pela internet só pelas fotos, sabe o risco: aqui é igual, só que resolver um problema à distância, do outro lado do Atlântico, é bem mais difícil.
O caminho mais seguro é este: primeiro, tire o NIF remotamente através de um representante fiscal (dá para fazer isso ainda no Brasil, sem precisar estar em Portugal. Veja o passo a passo em nosso guia de como tirar o NIF em Portugal sendo brasileiro). Depois, abra uma conta em banco português, porque o proprietário desconfia de transferência internacional e de aluguel pago sem IBAN local. Os passos estão no nosso guia de conta bancária em Portugal. Só então comece a negociar um contrato de verdade, de preferência com uma imobiliária local que aceite fazer a visita por vídeo-chamada ao vivo (não um vídeo pronto, gravado de antemão) e mande fotos e vídeos extras sob pedido.
Se puder, peça a um amigo, parente ou conhecido que já more em Portugal para visitar o imóvel por você antes de fechar. Muita gente que se muda sozinha faz uma viagem de reconhecimento de duas ou três semanas só para assinar o contrato pessoalmente. E, se você está indo pela via CPLP (o caminho migratório mais comum para quem vai trabalhar em Portugal), esse mesmo contrato registrado costuma servir depois como comprovante de endereço no agendamento na AIMA (a Agência para a Integração, Migrações e Asilo, que substituiu o antigo SEF) para dar entrada na Autorização de Residência CPLP.
Quais documentos um brasileiro precisa apresentar ao locador?
Cinco coisas, quase sempre: NIF, IBAN de banco português, comprovante de renda, cópia do passaporte e, idealmente, um fiador. Seu CPF e seu Serasa Score não significam nada aqui. Ninguém vai puxar esse histórico, ninguém sabe interpretá-lo, e mencionar isso na negociação só mostra que você ainda não entendeu como funciona o sistema português.
O NIF (Número de Identificação Fiscal, o “CPF português”) vem primeiro, porque sem ele não dá para assinar um contrato registrado. Tire antes de começar a visitar apartamentos, não depois.
O problema do fiador: o que a lei permite hoje
Um fiador em Portugal é um residente português que assina o contrato junto e responde pelo seu aluguel caso você não pague. Se você acabou de chegar, dificilmente vai ter um. Quem já alugou no Brasil conhece bem essa exigência (a lógica do fiador aqui é a mesma), só que a saída raramente é encontrar um português disposto a assinar.
A recomendação antiga era jogar dinheiro no problema: pagar seis ou doze meses adiantados para dispensar o fiador. Vários posts de blog ainda repetem esse conselho. Ele está desatualizado.
Desde 1º de janeiro de 2023, o artigo 1076.º do Código Civil, alterado pela Lei n.º 24-D/2022, limita o depósito de segurança a 2 meses de aluguel, com o adiantamento separadamente limitado a mais 2 meses. O máximo que alguém deveria cobrar na assinatura é cerca de quatro meses mais o mês corrente. Um locador que pede um ano adiantado está fora da lei. E, em alguns casos, é só desatualização mesmo, não má-fé.
Esse teto ainda era a lei em vigor em setembro de 2026, mas não dá para presumir que vai continuar assim para sempre. Em 9 de julho de 2026 o Conselho de Ministros aprovou um projeto de reforma da lei do arrendamento que acabaria de vez com o teto do depósito e deixaria o adiantamento subir de 2 para 3 meses. O projeto ainda tramitava no parlamento e não tinha virado lei até a última checagem, então o limite de 2 meses continuava valendo. Se você está lendo isso mais para o fim de 2026, confirme o status do projeto antes de assumir qualquer um dos dois números.
O que sobra para você é montar um caso em papel. Leve os extratos bancários dos últimos três meses, um contrato de trabalho remoto ou notas fiscais de cliente e, se você estiver com um visto D7 ou D8, a mesma documentação de renda que apresentou no consulado. Carta de aposentadoria ou de benefício previdenciário costuma ser bem recebida, porque passa segurança. Imprima tudo — as imobiliárias portuguesas ainda adoram papel.
Por que a conta bancária vem antes de tudo
O aluguel é pago por transferência ou débito direto de um IBAN português. Locadores não gostam de transferência internacional, tanto pela taxa quanto porque um IBAN local sinaliza que você realmente vai ficar. Resolva isso cedo: os passos estão no nosso guia de como abrir conta em banco português.
Golpe de aluguel: como não cair em fraude alugando à distância
O golpe mais comum começa assim: um anúncio com preço bem abaixo do mercado, um “proprietário” que está convenientemente fora do país, e um pedido de depósito antes mesmo da visita. Isso é o roteiro clássico contra quem está alugando do Brasil sem conhecer ninguém em Portugal, e cai exatamente na armadilha que a busca “aluguel portugal sem visitar apartamento” costuma revelar.
Alguns sinais de alerta que valem mais do que qualquer intuição:
Preço bom demais e pressa para fechar. Se o valor está muito abaixo dos outros anúncios da mesma rua ou bairro, e o “proprietário” empurra para você decidir em 24 horas, é golpe até prova em contrário.
Só aceita conversa por WhatsApp ou e-mail, nunca chamada de vídeo ao vivo. Peça uma chamada ao vivo, mostrando o imóvel em tempo real. Se a pessoa sempre “não pode agora” ou só manda vídeos prontos, desconfie.
Pede dinheiro antes da visita ou antes de confirmar o registro nas Finanças. Nunca transfira depósito, sinal ou “taxa de reserva” para alguém que você ou uma pessoa de confiança não viu pessoalmente, nem antes de o proprietário confirmar por escrito que vai registrar o contrato. Uma vez feita, a transferência internacional para uma conta desconhecida costuma ser irrecuperável.
O anúncio desaparece do Idealista, Imovirtual ou Casa Sapo assim que você demonstra interesse real. É sinal de que ele nunca existiu de verdade, ou de que era isca para atrair contato fora da plataforma.
O Banco de Portugal publica alertas ao consumidor sobre fraude de pagamento, e o padrão se repete: peça sempre para pagar depois de ver o imóvel, mesmo que só por vídeo-chamada ao vivo com alguém de confiança do seu lado, e nunca antes.
Onde procurar apartamento para alugar em Portugal
Comece pelo Idealista, Imovirtual e Casa Sapo, e aceite que os melhores apartamentos nunca chegam lá. O Idealista é o maior portal do país e também publica dados de preço por município, úteis para negociar.
Aqui está o que a maioria descobre tarde demais: um proprietário com um apartamento bom e com preço justo em Braga ou Coimbra costuma mostrar primeiro para três vizinhos e um primo, antes de gastar dinheiro anunciando no portal. As imobiliárias locais pegam a próxima leva. Os portais ficam com o que sobra, mais uma boa quantidade de imóvel superfaturado mirando estrangeiro.
Então trabalhe três frentes ao mesmo tempo. Ande pelos bairros que você realmente quer e fotografe as placas de “arrenda-se” nas janelas: um número surpreendente delas nunca chega a ser digitalizado. Entre nos grupos de Facebook específicos da cidade, incluindo os grupos de brasileiros em Portugal (muita gente da comunidade avisa de vaga antes mesmo de anunciar em portal), mas trate esses grupos como fonte de contato, nunca como canal de pagamento. E vá pessoalmente a duas ou três imobiliárias com seus documentos organizados numa pasta: aparecer preparado te coloca na frente de qualquer e-mail.
Se a mira é a capital, escolha o bairro antes do apartamento. O preço muda muito de um lado a outro de vinte minutos de metrô, e nosso levantamento dos melhores bairros de Lisboa para expatriados mapeia isso. Muita gente também aluga por um ano e depois compra, o que costuma fazer sentido. O processo e as diferenças de imposto estão no nosso guia de comprar imóvel em Portugal sendo estrangeiro.
Como interpretar um contrato de arrendamento português
Seis cláusulas decidem se o contrato realmente te protege: duração e renovação, prazo de aviso prévio, reajuste anual, quem paga o quê, condições do depósito e o inventário. Contratos residenciais seguem o Novo Regime do Arrendamento Urbano, aprovado pela Lei n.º 6/2006 e alterado várias vezes desde então, mais recentemente pelo pacote Mais Habitação. Um detalhe que importa: as regras de duração e aviso prévio que você realmente precisa saber estão no Código Civil, artigos 1094.º a 1101.º, que o NRAU alterou. Quem cita prazo de aviso prévio “pela Lei 6/2006” está citando a lei errada.
Duração e renovação. Um contrato de habitação precisa durar pelo menos um ano. Salvo cláusula em contrário, ele se renova automaticamente por períodos de três anos.
Prazo de aviso prévio. Você não fica preso ao contrato inteiro. Passado um terço do prazo inicial (ou da renovação em curso), dá para sair a qualquer momento avisando por escrito com 120 dias de antecedência — ou 60 dias, se o prazo original for menor que um ano. Para simplesmente não renovar, o aviso vai de 60 a 120 dias, dependendo da duração do contrato. Num contrato padrão de um ano, isso significa ficar comprometido por cerca de quatro meses e depois precisar avisar com mais quatro meses de antecedência.
Reajuste anual do aluguel. O aumento é limitado por um coeficiente publicado todo outono. Para 2026 é 1,0224, um aumento máximo de 2,24% (Aviso n.º 23174/2025/2, Diário da República, 2.ª série, 19 de setembro de 2025). Em 2025 foi 1,0216. Diferente de 2023, quando o governo substituiu a fórmula por um teto de 2%, não existe teto especial este ano. Vale o coeficiente cheio. O locador precisa te avisar por escrito com pelo menos 30 dias de antecedência, informando o coeficiente e o novo valor. Sem aviso, não tem reajuste.
Quem paga o quê. O IMI, o imposto municipal anual sobre o imóvel, é cobrado de quem é dono do imóvel em 31 de dezembro, ou seja, é sempre conta do proprietário. Você nunca deveria ser cobrado por isso. O condomínio, por padrão, também é do proprietário (artigo 1078.º do Código Civil), mas o contrato pode legalmente transferir despesas ordinárias para o inquilino. Então, leia essa cláusula duas vezes.
Condições do depósito. Portugal não tem sistema de proteção ou custódia de depósito. Diferente do Reino Unido, seu dinheiro fica na conta do próprio proprietário, sem terceiro guardando. Confirme que o contrato registra o valor, as condições de devolução e o prazo.
Inventário e estado do imóvel. Anexe um inventário fotográfico datado, assinado pelas duas partes. Se surgir uma disputa depois, reaver o depósito passa pelo Balcão Nacional do Arrendamento (um serviço administrativo especializado em conflitos de aluguel) ou pela justiça comum, e são as fotos que decidem o caso. É o seguro mais barato de todo o processo.
Por que exigir que o contrato seja registrado nas Finanças?
Porque um contrato não registrado te deixa sem recibo de aluguel válido, sem comprovante de endereço utilizável e com posição jurídica fraca. O proprietário precisa declarar o contrato à Autoridade Tributária — a “Receita Federal portuguesa” — pelo Portal das Finanças, usando o Modelo 2 da declaração de Imposto do Selo, até o fim do mês seguinte ao início do contrato. Ele também precisa emitir um recibo de aluguel eletrônico todo mês, pelo mesmo portal. Só a transferência bancária, sozinha, não vale como comprovação.
O Imposto do Selo de 10% sobre um mês de aluguel é devido na assinatura do contrato, e de novo a cada reajuste. Quem é legalmente responsável por pagar é o proprietário. Se ele pedir para você cobrir essa taxa, isso é negociação, não é a lei.
Alguns proprietários “esquecem” todo esse processo de propósito, para manter a renda invisível para o Fisco, e oferecem um desconto pequeno para você fechar os olhos. Não aceite. Sem registro e sem recibos mensais, você não consegue abater o aluguel no seu IRS (o imposto de renda português) e a AIMA não aceita seu endereço. Um acordo informal pode travar silenciosamente uma renovação de residência um ano depois.
Pergunte direto na visita: “O contrato vai ser registrado nas Finanças?” Uma resposta direta e sem enrolação já diz muito sobre o resto também. O Portal da Habitação é um bom ponto de partida para regras e programas de apoio voltados a inquilinos.
O que “sem despesas” esconde na conta de luz e água?
“Sem despesas” quer dizer que as contas de consumo não estão incluídas, e para um T2 típico o cálculo fica em torno de €95 a €172 por mês (aprox. R$ 560 a R$ 1.020) somando luz, água e lixo. A eletricidade é o item que mais pesa, porque a maioria dos apartamentos portugueses é aquecida a eletricidade ou não tem aquecimento nenhum. A ERSE, a agência reguladora de energia, calcula uma casa padrão de dois adultos na tarifa regulada em cerca de €37 por mês em 2026 (aprox. R$ 220), mas isso é uma base para consumo modesto, não um número de inverno. Um prédio de pedra antigo, sem isolamento, com aquecimento elétrico ligado o dia todo, pode triplicar essa conta em janeiro e fevereiro.
Água e lixo costumam ficar na faixa de €20 a €40 (aprox. R$ 120 a R$ 235). Gás, onde o prédio tem, pesa pouco. Internet é bem barata para o padrão brasileiro, e os planos, velocidades e pegadinhas de contrato estão comparados no nosso guia dos melhores provedores de internet em Portugal.
Fique atento a contratos que mantêm as contas de consumo no nome do proprietário e cobram você com uma margem em cima. Sempre que puder, coloque as contas no seu próprio nome. Cada uma delas também serve como comprovante de endereço, o que importa mais do que parece.
Outras armadilhas comuns ao alugar em Portugal
Fora o golpe do depósito antecipado, quatro pegadinhas mais silenciosas pegam até quem toma cuidado.
“Mobiliado” é elástico. Pode significar cozinha completa e camas prontas, ou só um sofá e um abajur. Cozinha portuguesa costuma não ter forno, e a máquina de lavar roupa geralmente fica no banheiro. Fotografe tudo na visita e confirme por escrito o que fica.
Umidade e mofo. Prédios sem isolamento criam mofo preto em paredes voltadas para o norte, entre novembro e março. Visite no inverno se puder. Se não der, cheque cantos do teto, atrás de guarda-roupas e ao redor de janelas, atento a pintura nova demais em comparação com o resto da parede.
Sem aquecimento central. A maior parte da moradia portuguesa não tem, e o dado é direto: em 2024, 15,7% das pessoas em Portugal não conseguiam manter a casa aquecida de forma adequada, contra uma média de 9,2% na União Europeia, segundo a pesquisa EU-SILC do Eurostat divulgada pelo Pordata. É uma melhora real frente aos 20,8% de 2023 (a queda mais forte da UE), mas Portugal ainda está entre os piores da Europa Ocidental nesse quesito. A causa é o tipo de construção, não o clima. Pergunte que tipo de aquecimento existe e quanto ficou a conta de luz do inverno passado.
Promessa verbal. “Claro que pode ter cachorro”, dito de boa numa visita, não vale nada em março. Se não está no contrato ou num anexo assinado, não existe.
Considerações finais
Alugar um apartamento em Portugal recompensa quem se prepara, mais do que quem tem o orçamento maior. Tire o NIF, abra a conta bancária, monte uma pasta de comprovante de renda, e saiba o teto do depósito antes de um proprietário testar isso com você. Depois, vá ver os imóveis pessoalmente (ou peça a alguém de confiança para ver por você) nos bairros que você realmente quer, e, se der, no pior clima do ano. Se você está em dúvida entre continuar alugando ou já partir para a compra, nosso comparativo entre alugar e comprar em Portugal faz as contas de cinco anos para Lisboa, Porto e Braga.
E não abra mão do registro. Um contrato registrado direito, com recibo mensal, não custa nada a mais e é o documento que destrava o resto da sua vida em Portugal: residência, saúde, situação fiscal. Aquele apartamento com a vista um pouco melhor não vale um aperto de mão informal.
Imagem de destaque: prédios de apartamentos na Avenida Almirante Reis, em Lisboa. Foto de Philip Mallis, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
Perguntas frequentes
Quanto custa alugar um apartamento em Portugal em 2026?
Um T1 (um quarto) vai de cerca de €650/mês em Braga (aprox. R$ 3.840) a €1.300/mês em Lisboa (aprox. R$ 7.680, cotação de 18/09/2026, confira o valor atual). Faro, Setúbal, Coimbra e Aveiro ficam no meio do caminho. Some contas de luz, água e lixo à parte — geralmente entre €95 e €172 por mês (aprox. R$ 560 a R$ 1.020) para um T2, já que aluguel em Portugal quase nunca inclui despesas.
Dá para alugar apartamento em Portugal estando no Brasil, sem visitar antes?
Dá, mas é a situação mais visada por golpistas, então só vale a pena com cuidado redobrado. Peça vídeo-chamada ao vivo (não vídeo gravado), confirme o NIF e o registro do contrato nas Finanças antes de qualquer transferência, e nunca mande dinheiro para alguém que só aparece por WhatsApp. Sempre que possível, peça a um amigo, parente ou um “olheiro” de confiança para visitar o imóvel por você antes de fechar.
Quantos meses de depósito o locador pode cobrar em Portugal?
O teto legal é de 2 meses de depósito de segurança, mais até 2 meses de aluguel adiantado — ou seja, um caso extremo de 5 meses no ato da assinatura, algo como €4.250 a €6.500 para um T1 de médio padrão (aprox. R$ 25.100 a R$ 38.400). Um projeto de lei que tiraria esse teto estava em tramitação em setembro de 2026, mas ainda não tinha sido aprovado — então a regra de 2 meses continua valendo por enquanto.
Como evitar golpe de aluguel em Portugal vindo do Brasil?
Desconfie de aluguel muito abaixo do preço de mercado, de proprietário que diz estar “viajando” e só aceita transferência antes da visita, e de anúncio que some do Idealista ou Imovirtual assim que você demonstra interesse. Nunca pague nada — depósito, “sinal” ou taxa de reserva — antes de confirmar que o contrato será registrado nas Finanças e de ver o imóvel, pessoalmente ou por vídeo-chamada ao vivo com alguém de confiança.
Preciso de fiador para alugar um apartamento em Portugal sendo brasileiro?
Na prática, não costuma ser exigido de quem chega agora — a maioria dos brasileiros recém-chegados simplesmente não tem um fiador português para oferecer, e os locadores sabem disso. O que substitui o fiador é uma pasta de documentos bem montada — extratos bancários dos últimos três meses, contrato de trabalho remoto ou notas fiscais de cliente, e o NIF e o IBAN portugueses já em mãos.
Quem paga a comissão da imobiliária, eu ou o proprietário?
Normalmente o proprietário, porque foi ele quem assinou o contrato de mediação com a imobiliária (Lei n.º 15/2013). Cobrar do inquilino não é ilegal, mas só é válido se você mesmo tiver assinado um contrato de mediação com valores definidos. Recuse qualquer “taxa de intermediação” cobrada de surpresa na hora da assinatura e confira o número de licença da imobiliária no IMPIC, o órgão que fiscaliza agências imobiliárias em Portugal.
Fontes
Este guia cita as seguintes fontes oficiais. Linkamos diretamente para que você possa verificar cada informação.
- Idealistaidealista.pt
- INE — Instituto Nacional de Estatísticaine.pt
- Diário da Repúblicadiariodarepublica.pt
- Portal das Finançasportaldasfinancas.gov.pt
- Portal da Habitaçãoportaldahabitacao.pt
- Banco de Portugalbportugal.pt
- PORDATApordata.pt
- Governo de Portugalportugal.gov.pt
- ERSEerse.pt
- AIMA — Agência para a Integração, Migrações e Asiloaima.gov.pt
- Governo de Portugalgov.pt
- BCBbcb.gov.br
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